Doença pode ser transmitida para humanos através de picada de mosquito
Myrela Moura - Diario de Pernambuco
Publicação: 18/02/2014 18:32 Atualização: 18/02/2014 18:38
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| O corretor José Lauryston costuma passar spray repelente nos cachorros ao ir para a praia. Foto: Blenda Souto Maior/DP/D.A Press |
No período do carnaval muitas pessoas costumam fugir da folia e relaxar viajando para a praia. Para quem tem cachorros de estimação é preciso um cuidado a mais por conta da leishmaniose. A doença, provocada por um protozoário, é transmitida por um mosquito chamado popularmente de “mosquito palha”, que é encontrado principalmente nas áreas do litoral. A leishmaniose é considerada uma zoonose, mas só passa do cachorro para o humano quando o mosquito pica o animal e depois o homem.
De acordo com o veterinário Rogério de Holanda, o Brasil está tomado pela leishmania. “Na praia de Tamandaré, no ano passado, 98% dos cachorros de rua estavam infectados e o protocolo de prevenção para esses casos estimulado pelas autoridades é o mesmo para a raiva, por meio da eutanásia animal”, disse o veterinário. “Falta interesse para uma outra solução, já que uma vez iniciado o tratamento os riscos de contaminação para os humanos são mínimos”, lamentou.
Os principais sintomas da doença nos cães são um maior crescimento das unhas, lesões em pontos das orelhas, lesões cutâneas e emagrecimento. Nos humanos, as primeiras características são lesões ulcerativas externas. Sem o tratamento correto a leishmaniose pode levar à morte. Não existe raça mais propícia a ter a doença, o risco é por igual e a melhor solução para combater é a prevenção. “ A vacina é obrigatória para quem mora em região de praia”, explicou o veterinário.
As vacinas são divididas em três doses a cada 21 dias e uma anualmente que garantem a imunidade, mas antes disso é preciso se certificar que o animal não já esteja infectado. A prevenção da doença também é feita a partir de sprays antiparasitários, coleiras específicas, repelentes na pele e no ambiente. Existem os chamados testes rápidos que são feitos no consultório que indicam se existe ou não a presença do protozoário, mas a confirmação da doença é feita por exames de sangue e medulares. Uma vez detectada, o tratamento é permanente e a palavra cura é considerada complexa, mas os medicamentos retiram a forma infectante da pele.
O corretor de seguros José Lauryston dono de dois cachorrinhos da raça yorkshire – Pierre de seis anos e Brad, quatro anos – costuma tomar cuidados quando leva os animais para passear. “Quando vou para algum local com muito mato, ou até na praia, sempre passo antes o spray repelente neles”, disse o corretor.
Questão judicial – Uma portaria conjunta dos ministérios feita em 2008 proibia o tratamento da leishmaniose visceral canina com produtos de uso humano ou não registrados, além de prever punições de caráter ético-profissional a médicos veterinários. Em janeiro de 2013 o Tribunal Regional Federal reconheceu a ilegalidade da portaria e possibilitou que os donos de animais diagnosticados com leishmaniose optem pelo tratamento dos animais, inclusive com medicamentos de uso humano, ou autorizem a eutanásia dos animais.

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