Aconteceu que dei um banho na Nina, para refrescar, afinal chegamos ao final do dia com temperatura de verão em fins de inverno.
Depois saímos pelas ruas afora pra secar mais rapidamente a sua pelagem que a deixa bem parecida com um border colier. A minha querida vira-lata preta com pelugem branca no peitoral estava toda alegre.
Entramos numa rua de casas, nenhum edifício a vista, casas simples, casas bonitas com jardim ladeando a garagens, pois foi que de uma delas surgiram primeiro eram dois cães que escaparam e avançaram em nossa direção, mas já estou acostumada com isso. Depois surgiu outro cachorro e não era simplesmente um cachorro. Ele veio todo dono de si. Pressentir o pior: Aquele pitbull e sua bocarra me fizeram entrar em pânico, comecei a gritar: sai, sai, sai e nada.
Dei-me conta que estava gritando com medo do pitbull, mas porquê? Era obvio que eu tinha medo de pitbull como todo mundo tem. A imagem que passaram de se tratar de cão feroz e destruidor estava tão cristalizada que automaticamente eu reagia à informação e não ao cão que por sinal o danado era lindo demais , formoso e parecia uma rocha completamente indiferente aos meus gritos cada vez mais alto, ele avançava imponente sobre a Nina que a essa altura já estava com as duas patas dianteiras no meu ombro, tremendo e tentando se proteger, em tamanho a Nina ganhava de longe do pequeno e parrudo cachorro. Felizmente era um macho e tudo que ele queria, acho eu, era "pegar" a fêmea.
Foi um alarde geral, todos saíram de suas casas para saber o que estava acontecendo, enquanto eu desesperadamente e quase entrando em pânico geral gritava: sai, sai, sai e nada.
Apareceu um bêbado e cambaleante tinha alguma coisa na mão, uma vassoura talvez, mas era um pitbull, coitado do homem bêbado, logo que ele percebeu, desistiu. Eu continuava a gritar sai, sai, sai e nada.
Mas eu continuava a gritar, agora pedia socorro já que o formoso não desistia de sua investida. Desta vez apareceu uma moça em um roupão e passou a chamar o belo pelo nome, mas ela fazia isso de longe, demonstrava medo do cachorro, eu não entendia nada, só gritava e agora parei o transito ali parada no meio da rua, rodopiando, tentando escapar do todo poderoso que era indiferente ao meu desespero e continuava a gritar sai, sai, sai e nada.
Eu olhava em volta, as pessoas não sabiam o que fazer, pedi ajuda, até que alguém atendeu ao meu apelo um pouco resistente, não sei porquê - imagina era só um pitbull - e me deixou entrar em sua garagem com muito cuidado para o danado de belo não entrar junto, pois todos estavam como eu: com medo daquela bela fera.
A moça de roupão ficou do lado de fora sem saber o que fazer, alguém disse que se ela não levassem o animal ele, com certeza iria embora, olham vejam só ; Um pitbull sair por aí sem rumo, imagine o que poderia acontecer com o cachorro que segundo ela, era do irmão.
O dono do cachorro provavelmente viajou e pediu a sua querida irmã, a moça de roupão que ficasse uns dias com um pitbull em casa, ela concordou, mas esqueceu, talvez de fechar bem o portão.
Mas e eu?! De onde veio aquele desespero todo? Afinal era apenas um cachorro macho tentando se aproximar de uma fêmea que por acaso era a minha indefesa vira-lata!
A única resposta que encontro dentro de mim é que eu estava com excesso de informação distorcida sobre a personalidade de uma raça canina e mesmo que quisesse não poderia ali, de noite e sozinha, avaliar com calma a situação, pois a minha mente já estava contaminada com a informação de que pitbull mata, logo todo pitbull é perigoso e só naquele momento foi que me dei conta de que o perigo maior é emprestar meus ouvidos sem senso critico pra qualquer coisa, depois que entra na cabeça fica difícil sair.
Depois do susto pude perceber que aquele cachorro era mais manso talvez que a minha vira-lata.